Zaire tem centralidade, mas onde estão as 3.000 casas prometidas para Mbanza Kongo e Soyo?






 Zaire tem centralidade, mas onde estão as 3.000 casas prometidas para Mbanza Kongo e Soyo?


MBANZA KONGO — A imagem que hoje fica para o país é de que o Zaire já tem uma centralidade. No Discurso sobre o Estado da Nação, o Presidente da República, João Lourenço, incluiu a Centralidade Alberto António Teta Lando, em Mbanza Kongo, entre as centralidades mais recentemente inauguradas no país. Mas, para a sociedade do Zaire, o anúncio não encerra a discussão. Pelo contrário: recupera uma promessa muito maior feita à população — 1.500 habitações para Mbanza Kongo e outras 1.500 para o Soyo, num total de 3.000 casas para a província.


A promessa remonta a 4 de Junho de 2022, quando João Lourenço, durante um acto político em Mbanza Kongo, anunciou duas centralidades para o Zaire, uma em Mbanza Kongo e outra no Soyo, cada uma projectada com 1.500 residências. O tempo passou e aquilo que actualmente aparece no balanço nacional como Centralidade Alberto António Teta Lando corresponde ao empreendimento do bairro 11 de Novembro/Campo do Mavaka, composto por apenas 13 edifícios. A própria comunicação institucional, em Julho de 2024, ainda apresentava o local como “nova urbanização de Mbanza Kongo” ou “projecto habitacional”, e não como a grande centralidade de 1.500 casas prometida à população.


Em Abril de 2026, o empreendimento passou a ser apresentado oficialmente como primeira fase da Centralidade Alberto António Teta Lando. É precisamente aí que surge uma questão de interesse público: se aqueles edifícios representam a primeira fase, o que aconteceu à dimensão inicialmente anunciada para Mbanza Kongo? E, sobretudo, onde está a centralidade de 1.500 casas prometida ao Soyo? Reconhecer aquilo que já foi construído não significa apagar a diferença entre o que foi entregue e a dimensão da promessa apresentada à população.


O caso de Mbanza Kongo torna-se ainda mais complexo porque existe o local real para projecto que é o Sangi, na comuna do Nkiende, associado à verdadeira centralidade projectada para os reais 1.500 habitações. O material reunido pelo Portal Zaire News regista que, em 2026, esse projecto voltou a ser apresentado com uma primeira fase de 500 habitações, mantendo como horizonte as 1.500 casas. Além disso, o Executivo autorizou financiamento para uma centralidade de 1.500 casas em Mbanza Kongo, com investimento indicado de 238,5 milhões, através do Despacho Presidencial n.º 269/25.


Portanto, a discussão não deve ser reduzida a dizer que “o Zaire não tem centralidade”. Hoje existe um empreendimento oficialmente apresentado como Centralidade Alberto António Teta Lando. A questão de fundo é outra: isso corresponde integralmente àquilo que foi prometido ao povo do Zaire desde 2017 e reforçado em 2022? Se foram anunciadas 3.000 habitações entre Mbanza Kongo e Soyo, a sociedade tem legitimidade para acompanhar quantas foram efectivamente entregues, quantas estão em construção, onde serão construídas as restantes e em que prazo.


Também permanece a necessidade de esclarecer definitivamente a evolução das designações. Em 2023 e 2024, os 13 edifícios eram tratados publicamente como projecto habitacional ou nova urbanização; em 2026 passaram a integrar a narrativa oficial da centralidade. Ao mesmo tempo, o Sangi continuou associado ao projecto de 1.500 habitações. Não se trata de negar as casas que existem diante dos olhos da população, mas de impedir que a existência dessas casas faça desaparecer da memória pública a dimensão da promessa original.


Se o povo é soberano, acompanhar aquilo que lhe foi prometido também faz parte da cidadania. A inauguração de uma fase merece ser noticiada; o que foi realizado deve ser reconhecido. Mas o jornalismo de interesse público também precisa perguntar pelo que falta. Das 3.000 casas anunciadas para Mbanza Kongo e Soyo, quantas estão hoje efectivamente entregues? Onde estão as restantes? E quando o compromisso original estará completamente materializado?


Jornalismo independente e sério — recordar o que foi prometido, mostrar o que foi feito e perguntar pelo que ainda falta.

O vagante branco

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