O CIP diz que Moçambique tem leis robustas contra a corrupção, mas o combate esbarra num detalhe pouco conveniente: o Ministério Público e o SERNIC apresentam fragilidades justamente onde deveriam ter força. A verba de investimento da PGR caiu de 100 milhões de meticais em 2022 para 75 mil em 2023, enquanto o SERNIC, criado em 2017, continua sem realizar concursos de recrutamento, havendo direcções distritais com apenas dois ou três agentes, quando deveriam ter pelo menos 26. É quase como mandar uma equipa combater um incêndio e, no caminho, descobrir que só levaram dois baldes.
E há mais: a lei garante autonomia ao MP e ao SERNIC, mas o CIP aponta limitações práticas, incluindo a forma de nomeação da Procuradoria-Geral e dificuldades de acesso à informação por causa do segredo de justiça. Na responsabilização, a Inspecção funciona com apenas sete inspectores, embora o Conselho Superior tenha instaurado 76 processos em 2023, incluindo 18 contra magistrados. No papel, há instituições para combater a corrupção; na prática, o relatório levanta uma pergunta desconfortável: se faltam dinheiro, pessoal e autonomia, afinal quem está a combater a corrupção — e com quê?

